Obrigado/Um recado pra uma tal de Fernanda.

Obrigado a todos que leram meu texto a respeito dessa história. Na medida do possível estou bem, essa história de quarentena é muito chata.
Eu sabia que ao escrever sobre isso eu abriria a fossa sanitária de anos de abuso e o conteúdo da mesma explodiria em cima de mim. O bom é que agora as coisas que tenho lido a respeito do meu desabafo não me atingem de forma tão dolorosa.
Agradeço os conselhos sobre como eu devo esquecer essa história. Mas gostaria de entender como seria suposto eu fazer isso. Hipnose? Lobotomia? Uma vítima de violência consegue apagar o que fizeram com ela?
Eu não tenho como mentir para mim mesmo que aquilo não me feriu. E ainda fere.

Quando eu achava que estava tudo bem, aquelas quatro meninas de quarenta anos negaram me responder um email pedindo um ingresso pra ver o show com minhas músicas e comigo tocando virtualmente em cima do palco nos backing tracks. Elas nem ao menos escreveram para me dizer que sentiam muito ao saber qual era a minha doença. Zero reconhecimento, zero empatia, zero de zero. E isso me incomoda de uma forma que eu nem consigo começar a explicar. Simplesmente porque não há nada que eu possa fazer, além de tentar fingir que isso não me machuca. Mas me machuca.

Hoje uma pessoa me mandou uma mensagem que a produtora que cuidou desses vermes no show em SP, uma tal de Fernanda, mandou para ele. Disse a moça que eu não resolvi isso na minha vida, que eu sou muito magoado.

Querida Fernanda Stickel, como você sugere que eu resolva isso da minha vida? Você entendeu o que aconteceu? Você pode fazer o favor de ler o meu outro texto para se situar antes de vir falar de coisas que você não tem conhecimento? Eu sei que aquelas pessoas são muito agradáveis de conviver e nem imagino o que falam de mim por aí, mas depois dessa sua mensagem que li fiquei um tanto desconfiado do teor do que dizem a meu respeito.

Esse tipo de coisa me daria vontade de morrer. Porque eu não mereço sair dessa história com fama de mal resolvido quando não depende de mim resolver um assunto. “Lide com isso”. Enquanto essas quatro pessoas se negarem a falar comigo de maneira honesta e adulta, todas as quatro, não só a porta voz do grupo, esse assunto não tem resolução. Ou isso ou elas mudam de nome e nunca mais tocam nenhuma música que eu compus. Se fosse possível de forma legal as proibir de tocar qualquer música que eu tenha composto, mesmo que em parceria com aquela cantora, eu o faria. Daí o assunto estaria resolvido e elas teriam só que tocar aquela merda de disco que fizeram sem mim.

Eu fui e ainda sou vítima de abuso. Quero que ninguém se esqueça disso ao dizer pra eu “resolver isso”. As músicas são minhas. Elas tocam acompanhadas nos shows por faixas que eu toquei. Faz anos e anos que eu tentei me reaproximar. Eu descobri uma doença mortal em 2011, convivi com aquilo até quando pude e quando fui me tratar fui manipulado e abusado. Quem é incapaz de passar por cima dessa histórias são elas. Elas foram e ainda são abusadoras. Se fossem homens tudo seria mais fácil mas são mulheres. Oportunamente se escondem atrás desse identitarismo raso com cheiro de GNT.

Agora, lavem as mãos e cuidem de suas vidas. E se vocês têm algum tipo de preocupação pelo próximo, não sejam hipócritas com relação a histórias como essa.

Nasci em 21 de maio de 74. Faço música desde que comecei a tocar piano com oito anos. Já tive algumas bandas, alguns empregos, alguns namorados e alguns blogs.

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