O INÍCIO DO FIM E O FIM PROPRIAMENTE DITO aka O POST QUE EXPLICA MINHA SAÍDA DA CSS

Publicado originalmente em 29/fevereiro/2012

Fiquei cego por quase um ano sem dinheiro para pagar a cirurgia depois que saí da banda e não me pagaram o que me deviam.

[Long story short: dia 11/11/11 eu “saí” da CSS. No início de 2011 descobri que estava doente e protelei minha ida ao Brasil por motivos de me encontrar numa turnê muito grande. Quando não havia mais hipótese de eu continuar tocando, fui pra SP me tratar. Passado alguns dias recebo um email do empresário dizendo que tinham decidido parar de pagar meu salário já que eu havia “abandonado” a turnê e que eu nem precisava mais voltar para terminar a mesma. Eu não abandonei a turnê e havia explicado a elas que precisava ir pro Brasil me tratar. Na época não disse qual doença eu tinha e isso nem vem ao caso agora. O que importa é que eu não podia mais continuar sem me tratar. Enfim, muita quetiapina depois, esse foi o post que fiz quando vi que não haveria mais condição de negociar o pagamento das coisas que me deviam, como as vinte mil libras da produção do disco. Estou escrevendo mais a respeito disso depois da palhaçada que elas aprontaram comigo e com a Clara Lima em novembro de 2019 quando tocaram em SP e negaram nos dar convites para ver o show.]

TIRANDO O MEU DA RETA ou também FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU A DAR ERRADO

Nunca conseguiria compilar todos os acontecimentos de forma fiel como ocorridos. Seria injusto dizer que o relato que segue é minimamente fiel. Ele é minha visão dos fatos ocorridos, visão parcial, visão muitas vezes debilitada pelo álcool e algumas drogas, pelas mágoas e arrependimentos tão corriqueiros que por vezes acabara jogada no poço sem fundo do meu esquecimento. Os acontecimentos aqui narrados o foram por terem tido importância no desenrolar do tema em foco, do surgimento da minha ex banda Cansei de Ser Sexy, a CSS até a minha forçada saída. Optei às vezes por incluir emails trocados para detalhar mais profundamente os fatos mas muitas mensagens comprometedoras foram deixadas de lado ou editadas para evitar maiores constrangimentos aos envolvidos. Sim, essa banda Cansei De Ser Sexy é uma ode ao constrangimento, no início de forma deliberada, no cerne de sua criação, artificio estético importante. No fim , tragicamente, tal constrangimento sobrepujou a condição de acessório se impondo como protagonista determinado.

Reler emails me ajudou a compreender um pouco tudo o que aconteceu nesses meses fatídicos antes da minha saída da banda

Tecnicamente o início de toda a confusão se deu há muito tempo, talvez em 2007 quando o saudoso Eduardo Ramos foi demitido (poderia dizer que toda a existência dessa banda foi uma grande confusão mas vamos separar as confusões ruins das boas, neste caso estou me referindo a uma confusão ruim, feia, muito desagradável que terminou com um processo criminal ainda em andamento). A relação da banda nunca mais foi a mesma desde esse terrível acontecimento em algum mês de 2007. Não me lembro que época do ano que foi, talvez final de verão, começo de outono, Londres estava com um tempo feio como de praxe, eu havia parado de fumar mas logo voltei com o vício, desesperado sem saber o que fazer. Apesar de tentarmos passar em entrevistas que éramos melhores amigos, praticamente família coisa e tal, nossa quase breve amizade estava bastante abalada. Havíamos saído de São Paulo sem expectativa alguma a não ser passar dois meses em turnê com o Bonde do Rolê e o Diplo e quando vimos havíamos chegado num lugar que banda “indie” brasileira alguma havia chegado. E nessa posição nos vimos sem dinheiro algum, devendo um mar de taxas e salários e aluguéis de equipamento, como ônibus de turnê, amplificadores e instrumentos… Um pesadelo. Talvez tivesse sido mais fácil terminar a banda ali mesmo mas nosso agente daquela época, Matt Bates da Primary, nos ajudou a por todas as contas no lugar. Talvez por peso na consciência, afinal de contas foi por intermédio dele que descobri que havia algo errado. Num fatídico dia ele veio até o camarim de algum show em algum lugar da Europa e me deu um beijo na bochecha (algo muito esquisito para um inglês posh fazer) e me agradeceu, disse “Meu cheque referente a vocês chegou e eu ganhei noventa mil libras, vou trocar minha BMW”. Dado que ele recebia dez por cento de nossos cachês, isso queria dizer que nós havíamos movimentado novecentas mil libras em um ano de agenciamento da Primary e quanta ironia, naquele mesmo dia eu lembro que estive passando fome por falta de dinheiro para comprar um sanduíche. Resolvi ir atrás de tudo, convoquei as meninas e nenhuma delas quis ir comigo até a Primary olhar as contas, achavam que era melhor conversar com o dito cujo que “tomava conta” das nossas finanças. Somente Luiza Sá quis ir comigo e descobrimos o que havia acontecido com aquela fortuna. Sumido. Para quitarmos as insanas dívidas herdadas (não bastava nosso dinheiro ter sumido, ainda tínhamos muitas dívidas) fizemos muitos shows, permutas, trocamos favores, suamos muito. E precisávamos de um outro disco para continuarmos promovendo a banda, então fomos fazer o Donkey. “Fomos” é modo de dizer uma vez que fiz praticamente tudo sozinho. Composição, letras, gravação. Carol e Luíza gravaram algumas coisas mas acabei regravando muita coisa por não gostar do resultado. Podem me achar escroto, mas eu sou o produtor dessa porra. Não ficou do jeito que eu quero, eu faço eu mesmo. As músicas já são todas minhas de qualquer forma. Ana não gravou nada. Luíza Sá escreveu a letra de Give Up, que na minha versão se chamava Black Wing e era uma referência explícita ao caso Ramos e decidimos gravar no disco a versão dela para o disco não ficar tão “negativo” (a minha letra continha frases como “get a stone and throw it at the black bird” e acabava com a frase “L.A.W. equals unbelievable”). Lovefoxxx escreveu um par de letras, gosto especialemente dos trechos que ela escreveu para Air Painter (só acho esse título ruim, tentei argumentar na época mas ela estava sensível e chorava quando confrontada, ela estava prestes a fazer sua primeira lipoaspiração). Se João Marcelo Bôscoli não nos tivesse cedido os estúdios da Trama para gravarmos o disco ele nunca teria saído afinal não tínhamos um tostão, estávamos com um problema de contrato dúbio com a Sub Pop (mais uma herança da época sombria) e tínhamos dois meses para entregar a master de Donkey. Eu estava histérico, com crises de pânico, bebendo todos os dias. Apesar de ter sido o mais lesado financeiramente no episódio com o antigo “empresário” (talvez só perdendo em traumas psicológicos para a Ira que além de tocar na banda chegou a namorar com ele) consegui segurar as pontas e compor aquelas músicas e escrever boa parte daquelas letras, foi um processo doloroso de expurgo. Durante a divulgação de Donkey fomos nos afastando. Lovefoxxx estava cada dia mais encapsulada a ponto de passarmos 25 dias no Japão eu e ela e só termos nos encontrado quando o acaso fazia questão de nos unir. Não que eu não quisesse passar meu tempo livre com ela (inclusive achava que estávamos passando férias no Japão juntos) mas ela estava completamente fechada para qualquer contato meu, achei melhor não forçar a barra. Apesar da solidão foram dias bons, frios, eu ia correr no Yoyogi Park, fazia minhas coisas, escrevi bastante. Nesses vinte e cinco dias encontrei com ela no máximo três vezes. Consideraria isso normal caso ela não contasse história bem diferente quando dava entrevistas. Enfim. O que passamos em 2007 foi provavelmente uma das coisas mais horríveis de todos os tempos para todos os envolvidos, achei melhor dar o espaço necessário para que ela se sentisse à vontade.

Logo que afastei Eduardo Ramos do controle da banda (e fui eu quem disse “Você está demitido”, foi a primeira demissão que fiz na vida e quanta ironia, despedi justamente uma pessoa que nunca havia sido contratada por mim nem por ninguém) a banda passou um tempo sem empresário. Matt Bates e o povo da Sub Pop trataram de espalhar a notícia que precisávamos de empresariamento e logo começaram a aparecer os pretendentes. Ainda em 2007 fomos tocar em Buenos Aires e um deles voou até lá para nos conhecer. Kevin, ele se chamava. Ele trabalhava para a empresa que empresariava a Pink. Ele era americano e muito agradável, nos pagou um belo jantar no Faena. Mas as meninas acharam que a empresa dele não ia dar a atenção devida a nossa banda pois eles tinham a Pink para se preocupar. Em Londres fomos fazer uma reunião com o então empresário da Björk e do Arcade Fire, Scott Rogers. Ele era escocês, se não me engano. Todos ficamos muito animados e queríamos logo de cara que ele fosse nosso empresário. Matt Bates não gostou e fez drama, falou que a empresa dele estava pegando todas as bandas indies do momento e isso ia ser um péssimo negócio. Eles haviam acabado de contratar o Black Kids (alguém aí ainda se lembra deles? Pois é, talvez Matt Bates tivesse alguma razão). Matt queria que escolhêssemos uma dupla inglesa que empresariava o Bloc Party. Eles formavam a Coalition Management. E acabamos indo com eles após Matt Bates dizer que sabia de algo TERRÍVEL a respeito do Scott Rogers. Ele nos amedrontou com sua teoria da conspiração e hoje acredito que ele tivesse medo que se assinássemos com o Scott a primeira coisa que ele faria seria despedi-lo.

No final de 2008 a turnê de Donkey acabou. E não poderia ter acabado de forma pior, com nossos péssimos empresários ingleses nos dando um belo pé na bunda. Era muito descaso com nossa banda, eles nos arrumaram um tour manager oriundo do universo do rap chamado Marciano que havia trabalhado um bom tempo com o Pharrel que nos colocava em hotéis cinco estrelas e voando de classe executiva pra lá e pra cá. Moral da história? Em dezembro de 2008 eu descubro que a última turnê do ano estava dando um prejuízo de mais de vinte mil euros e os shows que faltavam fazer não iam cobrir isso. Tivemos que cortar equipe no meio do caminho, dormir no ônibus e marcar loucos djs sets para minimizar o prejuízo. Havíamos combinado que os cachês dos djs sets iriam ser recebidos em dinheiro nos dias das festas para que pudéssemos voltar para Londres com algum dinheiro no bolso para o Natal. Só que obviamente ninguém se lembrou de receber os cachês e acabou que só veríamos aquele dinheiro sessenta dias depois. Eu fiquei puto e junto com Lovefoxxx mandei o seguinte email para o Simon White e o Tony Perrin aka nossos empresários da Coalition Management. Estávamos bem irritados e trocamos os nomes deles por Tommy e Seymour. Trocamos também o nome da assistente deles, a Faye. E achamos de bom tom colocar uma foto do Chapolim Colorado para ilustrar nosso desamparo.

Hi Seymour and Tommy! How are you? How is Fionna doing? Hope she’s doing great!
Hahaha

So, i’m just worried because Matt West said that Seymor said that the djing fees are going to cover up the big hole that this tour generated on our BUTTdgets. This is going be a very unMerry Christmas for CSS! Who’s gonna save us now?

(FOTO DO CHAPOLIM COLORADO PULANDO DE UMA JANELA)

Must we count on Chapolim Colorado or can we count on you guys? We never agreed to give this fees to cover up tour BUTTdget holes. We would like to have this money to spend a nice Christmas, buy ourselves some nice free range/organic Turkey at Waitrose (not Iceland) and after all, that would be the only “bonus” we have been talked about for such a long time. Although we all know that we will have to work more to cover up the debts of this tour. Thank God the shows were all amazing because we are an amazing band, we are beautiful no matter what they say and words can’t bring us down.
What kind of bonus can we get before Christmas to save our holidays? Or we all worked so hard to provide a nice christmas to all our crew but ourselves?
I also would like to point that this was a VERY expensive tour for ourselves personally. Me and Lovefoxx spent SHITLOADS of personal money to stay in Japan in order to FIRST: stay in japan and have fun/rest, SECOND: to save the band some money not having to send us back to london and then to america. We are not complaining, it was wonderful. But we’re sort of short in money. Also, I paid hotel rooms for myself on the days off we had in america, because, SORRY, i’m 35 years old and after 2 years I don’t have emotional structure to hang in the bus. I’m not a teenager anymore and if I had to chose between hanging in the bus or going back to brazil to my old advertising job, I wouldn’t think twice. Things must be smooth. Otherwise, i’m out of it. I don’t have anyone to rely on, I got no family and stuff to ask for favors (and still we’re not allowed to live in UK, no visas for us) and if I sense things are going to fall apart, i’ll be the first to jump outside of the boat.
We all thought that letting Pengui and Martian go would generate SOME profit, if not at least not more debts. We were all really amazed that not playing Toronto instead of creating more debts made us save some money. So whose idea was to take us all the way up to Canada for 5 grand? At this point of our lives… we’re so crushed.
Another thing that really bothered us was that email flagging that the sales of the tour were slow (and sincerely, we couldn’t feel that at all, all shows were really packed), that really really discouraged us in such a way, that just makes us think who’s been thinking about our things. Some psychology would be appreciated at this point.
And last but not least, that lineup order changing at the LA show with Bloc Party and Pretenders. We got an email from Marli saying that Pretenders didn’t want to be the headliner, Bloc Party didn’t want to play after Pretenders so they just threw us there. What really makes us sad is that, you guys being Bloc Party’s managers, you already knew that and didn’t have to lie to us about that. At least the the boring Bloc Party fans were all gone by the time we played so it wasn’t as terrible as the other time we played together. Anyway, it’s all done now. I just hope you have a solution about the so talked about Christmas Bonus for us.

xxx

Adriano and Lovefoxxx.

Não preciso nem dizer que Tony Perrin do alto de sua aristocracia britânica não gostou nem um pouco desse email e se limirou a responder “Speaking personally I think it’s time we called it a day and stopped working together”. Ufa. Eu não queria mais ver a cara desses dois incompetentes. Desde o início de nossa relação profissional ficou claro que esses dois patetas britânicos acharam que nosso segundo álbum ia ser a coisa mais louca e hypada do universo. Eles realmente acreditavam muito no nosso hype, mais do que qualquer um de nós. Eu tinha noção de que aquilo que acontecera no primeiro disco foi puro acaso, fenômeno inexplicável, fogo de palha. Tanto que quando fui escrever o Donkey eu deliberadamente fui para o caminho oposto do primeiro disco, eu não tinha condição psicológica de tentar emular e desenvolver as idéias do antecessor. Eu gosto muito de Donkey, infelizmente não consigo mais ouvir por conta da voz da Lovefoxxx. Ouço as demos, que tem minha voz) fiquei em Londres quase dois anos fazendo praticamente nada. Havia alugado um estúdio em Hackney Wick onde passava as tardes compondo esporadicamente (foi lá que fiz a parte musical de City Girl, I Couldn’t Care Less e Partners In Crime), passeava loucamente pela cidade, comprava coisas coisas que não precisava. Nada muito produtivo.

Em 2009 fizemos alguns poucos shows. Japão, Portugal, Marrocos. E no fim de 2009 eu voltei para São Paulo. Acabou namoro, acabou visto, acabou paciência e eu voltei. Tinha meu apartamento na Rua Tupi, um janelão com vista para a Pacaembú, uma luz bonita. Umas duas semanas após eu voltar, minha amiga Luciana, com quem havia trabalhado por muitos anos em duas produtoras diferentes (Tesis e Ludwig Van), me chamou para ser sócio dela. Sempre me dei muito bem com ela e ter uma produtora de som com ela fazia todo o sentido, afinal, não sabia qual seria o futuro do CSS e ter minha independência financeira atrelada àquelas meninas me apavorava. Então montamos a Coletiva, coincidentemente na mesma rua da casa onde eu morei com a Carolina de 2004 a 2006 e onde gravamos o primeiro disco e todas as demos do CSS, no Alto de Pinheiros. E eu e Luciana nos demos bem, sempre tivemos trabalho e fomos crescendo. Em 2010 o CSS arrumou outro empresário, dessa vez um americano. Americano e udeu, achamos ótimo, pensamos que era o fim de todos os nossos problemas, como se ser americano e judeu fosse garantia de caráter e inteligência. Não queríamos mais nada com o Reino Unido, dispensamos o Jon Harper (na verdade Carolina e Ana nunca gostaram dele, Carol achava que ele tocava mal, Lovefoxxx se irritava muito com o jeito do pobre coitado e elas votaram pela saída dele, pra mim tanto fazia pra falar a verdade), arrumamos um técnico americano. E esse empresário, chamado Joel Mark, veio para SP combinar mundos e fundos e tudo parecia ir bem. Apesar de tudo parecer ir bem eu ainda não estava com vontade de fazer um terceiro disco, não com elas. Era um processo muito desgastante ter toda a responsabilidade nas minhas costas, ter que me desdobrar em doze para fazê-las ter algum interesse no processo de feitio do disco. Eu não estava mais afim de passar por aquilo, sempre toquei com pessoas que gostavam de fazer música, eu nunca entendi como elas eram tão desinteressadas por isso. Acontece que de tanto contar em entrevistas que nós éramos os melhores amigos de toda a vida eu acabei acreditando e cedi, ok, vamos fazer o terceiro disco. E que ótimo, não é mesmo, agora que eu tenho uma produtora, um estúdio, eu tenho os amplificadores, a bateria, as guitarras e os baixos e os teclados, tudo aqui, podemos ficar o tempo que quisermos na Coletiva para criarmos e gravarmos esse disco. Coisa boa, hein. Luciana deu a maior força, pegamos dois quartos do andar de cima e fizemos como que uma sala da criação, montamos a bateria lá, pusemos um sistema de PA, os amplificadores, colamos fotos nas paredes. E toda a ação dessa sala de criação parou por aí, com a colagem das fotos na parede. Quando encontrávamos não conseguíamos engrenar uma dinâmica de banda afinal de contas nunca fomos uma banda BANDA. Eu tentei, dei espaço, dei tempo, dei idéias. E quando vi que seria impossível, voltei a criar minhas músicas sozinho como no primeiro e segundo discos. Só que agora Lovefoxxx estava mais distante que nunca, ela se ilhava trancada num outro quarto sozinha com seu computador. Dizia que estava escrevendo, talvez estivesse mesmo. Mas como de praxe, eu mandava as bases e ela demorava dias, semanas, às vezes meses para me dar uma resposta. Num certo momento, Ana e Carol pararam de frequentar a produtora, só iam quando eram chamadas e como não tinham nada para fazer lá quase nunca as chamávamos. Luiza Sá voltou para NY, havia passado uns meses em SP acabando o curso de Artes Plásticas na Faap. Durante esse tempo que esteve estudando compareceu quase todos os dias à produtora, ela tinha umas composições, me mandava idéia de letras e de todas era a que tinha mais proatividade.

E entre trancos, barrancos, desilusões e sofrimento, um ano e meio de produção depois eis que nasce La Liberación. Rearrangei as músicas ene vezes, mudei arranjos, letras, espremi cada uma das faixas até tirar todo o suco possível. Havia produzido vinte e quatro faixas, somente onze entraram no disco. Eu fiquei bem dividido com o resultado, gosto muito das minhas composições e da produção. Não gosto de muitos vocais e letras que Lovefoxxx escreveu. Sem falar na gravação final dos vocais, muito melodyne, muito truque para ficar bom. Enfim. Fomos fazer turnê. Austrália, Estados Unidos, Japão, Europa. Nosso novo baterista era sensacional. Mas algo estava diferente, não sei se foi a falta de álcool no meu cérebro ou as roupas feias que Lovefoxxx resolveu usar em forma de protesto anti fashion (as roupas que a Fábia Berscek fez ainda eram bonitas, agora quando o Jeremy Scott deu aquelas roupas da Adidas que qualquer um pode comprar na loja, ficou foda, uma proporção toda errada). Algo havia mudado, talvez o prazo de validade da banda estivesse vencido.

Não preciso nem dizer que Tony Perrin do alto de sua aristocracia britânica não gostou nem um pouco desse email e se limirou a responder “Speaking personally I think it’s time we called it a day and stopped working together”. Ufa. Eu não queria mais ver a cara desses dois incompetentes. Desde o início de nossa relação profissional ficou claro que esses dois patetas britânicos acharam que nosso segundo álbum ia ser a coisa mais louca e hypada do universo. Eles realmente acreditavam muito no nosso hype, mais do que qualquer um de nós. Eu tinha noção de que aquilo que acontecera no primeiro disco foi puro acaso, fenômeno inexplicável, fogo de palha. Tanto que quando fui escrever o Donkey eu deliberadamente fui para o caminho oposto do primeiro disco, eu não tinha condição psicológica de tentar emular e desenvolver as idéias do antecessor. Eu gosto muito de Donkey, infelizmente não consigo mais ouvir por conta da voz da Lovefoxxx. Ouço as demos, que tem minha voz) fiquei em Londres quase dois anos fazendo praticamente nada. Havia alugado um estúdio em Hackney Wick onde passava as tardes compondo esporadicamente (foi lá que fiz a parte musical de City Girl, I Couldn’t Care Less e Partners In Crime), passeava loucamente pela cidade, comprava coisas coisas que não precisava. Nada muito produtivo.

Em 2009 fizemos alguns poucos shows. Japão, Portugal, Marrocos. E no fim de 2009 eu voltei para São Paulo. Acabou namoro, acabou visto, acabou paciência e eu voltei. Tinha meu apartamento na Rua Tupi, um janelão com vista para a Pacaembú, uma luz bonita. Umas duas semanas após eu voltar, minha amiga Luciana, com quem havia trabalhado por muitos anos em duas produtoras diferentes (Tesis e Ludwig Van), me chamou para ser sócio dela. Sempre me dei muito bem com ela e ter uma produtora de som com ela fazia todo o sentido, afinal, não sabia qual seria o futuro do CSS e ter minha independência financeira atrelada àquelas meninas me apavorava. Então montamos a Coletiva, coincidentemente na mesma rua da casa onde eu morei com a Carolina de 2004 a 2006 e onde gravamos o primeiro disco e todas as demos do CSS, no Alto de Pinheiros. E eu e Luciana nos demos bem, sempre tivemos trabalho e fomos crescendo. Em 2010 o CSS arrumou outro empresário, dessa vez um americano. Americano e udeu, achamos ótimo, pensamos que era o fim de todos os nossos problemas, como se ser americano e judeu fosse garantia de caráter e inteligência. Não queríamos mais nada com o Reino Unido, dispensamos o Jon Harper (na verdade Carolina e Ana nunca gostaram dele, Carol achava que ele tocava mal, Lovefoxxx se irritava muito com o jeito do pobre coitado e elas votaram pela saída dele, pra mim tanto fazia pra falar a verdade), arrumamos um técnico americano. E esse empresário, chamado Joel Mark, veio para SP combinar mundos e fundos e tudo parecia ir bem. Apesar de tudo parecer ir bem eu ainda não estava com vontade de fazer um terceiro disco, não com elas. Era um processo muito desgastante ter toda a responsabilidade nas minhas costas, ter que me desdobrar em doze para fazê-las ter algum interesse no processo de feitio do disco. Eu não estava mais afim de passar por aquilo, sempre toquei com pessoas que gostavam de fazer música, eu nunca entendi como elas eram tão desinteressadas por isso. Acontece que de tanto contar em entrevistas que nós éramos os melhores amigos de toda a vida eu acabei acreditando e cedi, ok, vamos fazer o terceiro disco. E que ótimo, não é mesmo, agora que eu tenho uma produtora, um estúdio, eu tenho os amplificadores, a bateria, as guitarras e os baixos e os teclados, tudo aqui, podemos ficar o tempo que quisermos na Coletiva para criarmos e gravarmos esse disco. Coisa boa, hein. Luciana deu a maior força, pegamos dois quartos do andar de cima e fizemos como que uma sala da criação, montamos a bateria lá, pusemos um sistema de PA, os amplificadores, colamos fotos nas paredes. E toda a ação dessa sala de criação parou por aí, com a colagem das fotos na parede. Quando encontrávamos não conseguíamos engrenar uma dinâmica de banda afinal de contas nunca fomos uma banda BANDA. Eu tentei, dei espaço, dei tempo, dei idéias. E quando vi que seria impossível, voltei a criar minhas músicas sozinho como no primeiro e segundo discos. Só que agora Lovefoxxx estava mais distante que nunca, ela se ilhava trancada num outro quarto sozinha com seu computador. Dizia que estava escrevendo, talvez estivesse mesmo. Mas como de praxe, eu mandava as bases e ela demorava dias, semanas, às vezes meses para me dar uma resposta. Num certo momento, Ana e Carol pararam de frequentar a produtora, só iam quando eram chamadas e como não tinham nada para fazer lá quase nunca as chamávamos. Luiza Sá voltou para NY, havia passado uns meses em SP acabando o curso de Artes Plásticas na Faap. Durante esse tempo que esteve estudando compareceu quase todos os dias à produtora, ela tinha umas composições, me mandava idéia de letras e de todas era a que tinha mais proatividade.

E entre trancos, barrancos, desilusões e sofrimento, um ano e meio de produção depois eis que nasce La Liberación. Rearrangei as músicas ene vezes, mudei arranjos, letras, espremi cada uma das faixas até tirar todo o suco possível. Havia produzido vinte e quatro faixas, somente onze entraram no disco. Eu fiquei bem dividido com o resultado, gosto muito das minhas composições e da produção. Não gosto de muitos vocais e letras que Lovefoxxx escreveu. Sem falar na gravação final dos vocais, muito melodyne, muito truque para ficar bom. Enfim. Fomos fazer turnê. Austrália, Estados Unidos, Japão, Europa. Nosso novo baterista era sensacional. Mas algo estava diferente, não sei se foi a falta de álcool no meu cérebro ou as roupas feias que Lovefoxxx resolveu usar em forma de protesto anti fashion (as roupas que a Fábia Berscek fez ainda eram bonitas, agora quando o Jeremy Scott deu aquelas roupas da Adidas que qualquer um pode comprar na loja, ficou foda, uma proporção toda errada). Algo havia mudado, talvez o prazo de validade da banda estivesse vencido.

Logo após o lançamento do disco houve o incidente do vídeo de Hits Me Like A Rock. Essa é minha música preferida. Eu a compus em 2005, num sábado que eu, Carol, Ana e Daniel Zanardi fomos até Bragança Paulista vermos o sítio do meu pai para gravarmos o primeiro clipe de Alala. Quando voltei para casa estava com uma sensação muito boa e peguei a guitarra e fiz um riff bem safado na guitarra. Escrevi uma letra que ia meio assim “maybe maybe maybe I been waiting waiting for so long, who could tell me that I’m wrong oh baby baby”. “you may say that I’m losing my edge but baby baby, it’s so bad, you know I like you a lot but my problem is time, but still I’d have you anytime”. Essa música ficou lá jogada esquecida por anos até que um dia eu convenci a Lovefoxxx a dar uma ouvida e ela veio com a ideia de Hits Me Like A Rock, que é sensacional. E quando ela estava lá gravando os vocais eu fiz o OH OH, OH OH OH OH OH porque um oh oh era tudo que faltava nessa música. Apesar de ser minha música preferida do disco, tem uma coisa que me incomoda. A letra. A parte que ela descreve um passeio de motocicleta é bastabte randômica e fraca em imagem. E a hora que ela fala sobre “you would melt my brain a million times and have too many bruises from too much kissing and the only pain would be from too much missing” me dá um tiquinho de vergonha. Eu queria que esse fosse um clipe maravilhoso, lindo, caro, rico, emocionante. Mas como tudo nessa banda, a dinâmica de escolher um roteiro de videoclipe também era um pé no saco. Recebemos uma dúzia de roteiros e indicações de diretores diferentes. Li um por um. Mesmo eu tendo escrito a música, mesmo eu tendo tocado todos os instrumentos da gravação (Carol gravou uma guitarra toda picotada nota por nota e o timbre da guitarra que Luíza Sá gravou ficou ruim então eu acabei regravando do jeito que eu queria) e mesmo tendo escrito um pedaço da letra, minha opinião não contava. Ana Maria fez tudo o que pôde para gravarmos o clipe em Barcelona com uma sapatão diretora de curtas namorada de outra sapatão super hypada diretora de filme que havia feito clipes do Justin Timberlake. Essa diretora mandou um email. Eu não amei a idéia. Não queria fazer outro clipe engraçadinho, não me sinto bem fazendo o Didi Mocó. Não consigo assistir o clipe de Move, me acho patético, estou visivelmente constrangido de batom azul.

O EPISÓDIO DO BATOM AZUL

Vamos voltar um pouco para explicar um episódio muito importante na história da banda e até hoje usado em casos de chantagem.

Em 2007 fomos para o Japão pela primeira vez. Um frenesi adolescente, nem notei o jet lag, acho que nem dormi os dias que passei lá. Não tivemos tempo de passear muito, dávamos entrevista o tempo todo. No nosso último dia, achamos que teríamos o dia livre para fazer compras. Só que nossa gravadora marcou um editorial de moda para uma revista e eles nos juraram que seria só pela parte da manhã, ainda teríamos a tarde livre. Chegando lá para a sessão de fotos a coisa era mais complicada que imaginávamos. Eles iam nos maquiar, nos vestir, tirar nossa foto num fundo verde e depois ilustrar o fundo. Na hora de me maquiar, o japonês falou assim: “I GIVE YOU SEXY LIPS”. Fechei os olhos apavorado. Ele estava com o rosto dele a dois centímetros do meu pintando meus beiços com um pincel com uma tinta azul. Depois de maquiado, me vestiram. Puseram uma camisa toda estampada desabotoada até os mamilos, um colar branco de pedras meio coral, uma corrente de motoboy. Passaram uma pasta no meu cabelo. Me deram uma man purse. E para coroar, um óculos que o Bono Vox usaria o dia que virasse travesti. Eu nunca me senti tão humilhado. Desci da sala de maquiagem com vontade de fugir dali pela janela. Quando as meninas me viram não preciso nem falar como foi.

Sexy lips. Quando eu morrer eu quero meus lábios dessa cor para ninguém chegar perto do caixão. Esse episódio ficou conhecido como “LIPSTICK BLUE”. O pior é que as fotos da campanha não ficaram feias…

Voltando ao caso do clipe de Hits Me Like A Rock.

Segundo Ana (e todas as outras repetem em coro), a banda “tem sim um senso de humor”. Não sei onde, eu não rio quando escuto os discos. Enquanto seres humanos temos algum senso de humor, sim temos, claro. Mas achar necessário imprimir isso num clipe de uma música linda que de engraçada só tem o nonsense da parte da motocicleta? Desisti. Essa foi a primeira vez que eu cogitei sair da banda. Inventei uma desculpa esfarrapada e não fui gravar essa merda de clipe em Barcelona, pulei fora. Eu não queria dançar, o clipe todo era baseado numa coreografia, como explica o email da diretora:

On 30/05/2011, at 08:57, beatriz sanchis <xxxxxxxxxx@gmail.com> wrote:

Hi everyone!

I’ve been thinking about the concept you mentioned:

Could CSS make the tutorials? Could the tutorials teach how to dance like CSS or like Lovefoxxx? If we do it this way we win that CSS is the Center of the video clip, which is great, but it also has its drawbacks… If CSS teaches the others how to dance like THEM, you have the same thing that you see in so many video-clips: you have the cool people (the idols) and those who would love to feel cool by imitating their idols.

In my proposal I’m talking about something else. I’m talking about a new wave of sharing knowledge, a new way of society (horizontal society), I’m talking about the internet era. The NEW way is to put CSS in the SAME PLACE as everyone else.

I’ve been thinking that maybe, you feel like you need to find a way to give CSS more visibility in the video so, maybe we can re-write the idea while preserving the spirit of the initial proposal.

What about this idea:

The band doesn’t know how to dance, so they start learning on the internet and in the streets, and in doing so, they compose a new dance by mixing different steps from different styles?? This way they are still the leading characters, but, preserving the initial idea.

Let´s discuss!

Esse foi o primeiro contato da diretora. Vamos discutir! Infelizmente não houve muita discussão, parecia já estar tudo decidido. E eu já cansado de tentar fazer alguém me ouvir. Engraçado que quando eu estava compondo, arranjando, produzindo e gravando o disco ninguém quis discutir nada. Se eu tivesse feito um disco de kuduro acústico era o que tinha e elas estariam felizes.

O mínimo que eu esperava era um clipe que no fim mostrasse uma coreografia de Hits Me Like A Rock, uma dancinha boba estilo Macarena ou Michel Teló. E quando começaram a chegar as montagens nada nem perto disso estava retratado. O comentário que melhor traduziu minha implicância com o vídeo foi minha amiga Clarice quem fez, “os figurantes do clipe estão mais bonitos que as pessoas da banda”). A Lovefoxxx está especialmente feia… Vamos rever a porcaria do clipe.

Essa montagem é a número seis mil novecentos e oitenta e nove. Até chegar nisso vocês não têm idéia do sofrimento que foi. Primeiro, as pessoas não estão dançando a música retratada. Elas dançam qualquer outra coisa, muito mais rápida. O editor teve que fazer um bom milagre para tirar essa sensação. Segundo, as meninas não estão desenvolvendo nada durante o clipe. Elas estão simplesmente lá coadjuvantes dos dançarinos. Terceiro. A Puma havia dado uma grana para fazermos esse vídeo. Tudo que deveríamos fazer era colocar alguns produtos da Puma nos dançarinos. Eles mandaram para a produtora do clipe mais de três mil libras em produtos para elas escolherem. Onde estão esses produtos no clipe? E quarto. Na cena final, Luíza Sá usava uma camiseta da Sub Pop, sendo que esse vídeo estava sendo pago por nossa nova gravadora, a CoOp.

As respostas que obtive foram as seguintes: As pessoas não estão dançando a música por causa do conceito do clipe.

As meninas não estão dançando porque elas ficaram com vergonha de dança e os dançarinos dançavam tanto que tudo bem, ficou incrível mesmo assim!

As coisas que a Puma mandou eram barangas e iam enfeiar o clipe então elas só usaram duas coisas que dois dançarinos já estavam usando por acaso: um tênis velho da Puma sujo e irreconhecível e um boné que descobrimos ser falsificado.

As meninas não acharam nada de errado a Luíza estar usando uma camiseta da nossa ex gravadora, que não teve nem curiosidade de ouvir nosso novo álbum antes de dizer que não tinham interesse em nos lançar.

Quando chegou a última versão que a diretora fez o Joel mandou um email com suas considerações a respeito da montagem e eu respondi com esse email:

From: Adriano Cintra <xxxx>
Subject: Re: hits me like a rock video
Date: August 1, 2011 9:01:38 AM GMT-03:00
To: Ana Rezende dos Anjos <xxxxx>
Cc: Joel Mark <xxxx>, Carol Parra <xxxx>, Lovefoxxx Matsushita <xxxx>, Luiza Sá <xxxx>

We have a problem and we should solve it.
To be REALLY honest, I don’t love this video. I think if it wasn’t ours I wouldn’t watch till the end.
There are some things that really bother me. Like the fact people are not dancing to our song.

I see all points that Joel makes here and I think we should have another edit. We are in this business to play ball. I have made one zillion different arrangements for the songs and i don’t see why this Beatriz wouldn’t make another edit doing exactly what she is told to.

I think we should be realistic now. We are not big. We have loads of fans who love us and stuff. But this time my point is to GO TO THE NEXT LEVEL. and this video ain’t taking us there the way it is now.

If Beatrix don’t want to make another cut, we should get all the footage and have some good editor to do this. I don’t know how this works and I can tell she won’t be really pleased. But this is our video and there are TOO many people involved that must be pleased apart from yourselves.
I am not pleased with the video the way it is. I like it but I don’t love it and I was expecting to love it. And it would help me to love it if all the people that believe in us (the record label for instance) were loving the video. But they are not and we must realize they know what they are talking about.
We don’t. I was hoping this time we would learn something from this industry.
I think it’s time we have an efficient video.

I’m with Joel, we should do all we can to squeeze this orange till the last drop.

adriano

E então o email que recebo de resposta me põe no meu devido lugar:

On Aug 2, 2011, at 1:01, Ana Anjos <xxxxxx> wrote:

And Adriano, I don’t think we were ever in this business to “play ball”. I think we are ourselves and that’s why we are successful and happy with what we do.
If you think the label is the one who knows what’s gonna make us rich, then we might as well have them choosing everything for us. The treatment, the director, the clothes we wear, the places we play, etc…
I’m not saying we shouldn’t listen to what they have to say, but I think we know ourselves better than the Coop people (actually, we don’t really know ANY of them), and we can make our own decisions here.

A arrogância dessas linhas é nauseante. ACHO QUE SOMOS NÓS MESMAS E SOMOS BEM SUCEDIDAS E FELIZES COM O QUE FAZEMOS (veja bem, deixei no feminimo para me auto excluir desses comentários infelizes). Eu gostaria de perguntar o que é que você faz, Ana Maria. O que? O que além de manipular o feitio dessa merda de clipe com essa diretora despreparada? É incrível como um coadjuvante pode se achar na condição de protagonista dessa forma. Não que eu me ache protagonista de nada, longe disso. Pra mim a grande protagonista do CSS foi e sempre será a Lovefoxxx.

E era engraçado isso pra mim. Eu só queria pela primeira vez na vida aproveitar o fato de que talvez pela última vez na vida da banda a tal da “indústria” estivesse nos dando uma chance e tentar crescer tomando proveito desse fato. O CSS não é uma banda punk cheia de dogmas. E eu havia conversado muito com a Lovefoxxx sobre como faríamos para ir para o next level nessa fase. Só isso me interessava, fazer turnê falida, vídeo feio de novo? Mas a arrogância de quem menos faz falou mais alto. E eu, que mais havia produzido, havia sido colocado no meu lugar. De lado. E que ficasse quieto, de preferência.

Além de decidir conceitos audio visuais, Ana Maria também gostava muito do seu gelo. “Onde está o balde de gelo?”, “Solana (nossa tour manager que tinha coisas muito mais importantes para se preocupar do que o balde de gelo de Ana Maria), eu já disse que quando nós chegarmos no camarim o gelo tem que estar lá”. Eu não sabia mais como lidar com aquilo, me incomodava e muito. Conversava com Solana, me desculpava. Aquilo me constrangia profundamente. Solana não era nossa assistente pessoal, não era nossa empregada. Ela era nossa tour manager e uma vez, quando ganhávamos mais de trinta mil libras por show, nosso tour manager produzia esse tipo de capricho. Agora, ganhando cinco, dez mil dólares por show e algumas vezes muito menos que isso, nossa história era outra. Mas o que mais me incomodava era quando eu olhava pro show e via que essa pessoa que reclamava do gelo e fazia aquilo se tornar um problema tão grande que a tour manager foi mandada embora (obviamente houveram outros motivos mas acredite, o gelo e a ausência do mesmo foram alguns deles) não fazia tanta coisa assim para se dar ao luxo de reclamar de coisa tão insignificante. Ana não tocava nada de crucial no show, a maioria das coisas que ela tocava era dobrando algo que estava na base pré gravada e executada por mim (e que se ela não estivesse lá pra tocar aquilo ao vivo, essa coisa poderia ser facilmente colocada na base pré gravada como em Alala por exemplo). O equipamento dela representava quase 40% do peso do equipamento da banda. Ela tinha três teclados com hard cases, um teclado spare com hard case (hard case é uma caixa de madeira maciça feita para transporte pesado que geralmente pesa o triplo da coisa que está dentro), um amplificador orange pesado como uma geladeira (em hard case, obviamente). Duas guitarras (com hard case, claro). E tudo que ela tocava no show era, digamos, não muito importante.

E eu comecei a questionar esse tipo de coisa. Ela realmente precisa de tantos teclados sendo que ela toca coisas que qualquer músico primário tocaria com uma mão? Vamos trocar tudo isso dela por um controlador USB e um laptop! Ela precisa mesmo daquele inferno de keytar sem fio para dar pinta na frente do palco? O roadie passava mais da metade do tempo que usava para montar o palco todo montando só as coias dela. Pronto, babado confusão e tiroteio. Aparentemente mesmo compondo praticamente todas as músicas da banda, arranjando, ensinando elas a tocar nota por nota, eu não tinha o direito de fazer essa mudança sem trocarmos novecentos e trinta e nove emails a respeito do assunto. Eu só queria ser prático. Eu apesar de sempre achar que Ana Maria nunca faria a menor falta na banda, nunca teria coragem de propor tirar ela dali. Eu só queria salvar dinheiro de frete, tempo e trabalho dos nossos roadies. Mas acontece que a banda já tinha uma síndica. E essa síndica era justamente Ana Maria.

Ao invés de pensar em economizar dinheiro e tempo, ela tinha outras prioridades. O que ela realmente gostava de fazer além de infernizar por conta do gelo, era personalizar riders (aqueles famosos pedidos de camarim) de acordo com o local visitado. Afinal, ela não bebe qualquer cerveja ou vinho. Nada de latas de cerveja, por favor. E tudo tinha que estar muito gelado, apropriadamente no balde de gelo que deveria ter o gelo reposto sempre que necessário. Mesmo que a casa possuísse um refrigerador, como vocês poderão ler nos riders abaixo.

Begin forwarded message:

From: Zane Smythe <xxx@xxxxx.com>
Date: August 12, 2011 5:59:05 PM GMT+01:00
To: Djamir Filho <xxxxx@xxxxxx.com>
Cc: Adriano Cintra <xxxx@xx.com>, Joel Mark <xx@xx.com>
Subject: Re: Serious stuff (Adri writing from Pengui’s email)

ok for starters i believe penguin is arranging to move the gear to the storage place that he has picked so it is closer to him and more accessible so hopefully that makes things a bit easier. Penguin, is this in motion?

For the backline not being used, i am not sure we will have time to do a proper rehearsal but maybe we can put some things on hold at JOhn Henry’s or something just in case we need it in a pinch? Is there a way to get the amps plugged in and turned on in the next few days just to see? Maybe someone at sound moves plays music enough to just confirm this for us? after messing up the asian shipment i am sure they would be ok to do this if they did have someone there that is capable. Let me know what you think.

As far as the riders are concerned I have attached the latest riders from ana so you can take a look at them. These are brand new for this tour so they are a bit smaller than the previous rider but let me know what you think.

DENMARK RIDER:
CSS hospitality Rider — Denmark
Beer:
24 BOTTLES (NO CANS PLEASE) of:
Starporamen beer
or
Zywiec beer
or
Carlsberg beer

2 Bottles of
French Sancerre white Wine
or Spanish Albarinho white Wine

FOOD STUFFS :
1 x Box of Granola
1 x bag of Pistachio Nuts
2 boxes of Blueberrys
Tangerines or Satsumas
1 Bunch of Bananas
Apples
Grapes
Strawberries
2 x organic chocolate bars
Potato Chips
Whole Wheat Bread
Buffalo Mozzarella
Integral Pitta bread
Smoked Salmon
Turkey Breast
Fair Trade grounded coffee

SOFT DRINKS:
6xGatorade
4 x Diet Red Bull
48 x bottles still water
6 x small bottles Perrier or San Peligrino
Orange juice (not from Concentrate)

MISCELLANEOUS:
1x Toaster
1x Kettle
1x Café Tier Coffee Pot
6x Mugs for hot drinks — NO STYROFOAM CUPS
6x Glass Champagne flutes.
24x Plastic cups for cold drinks
1x Corkscrew
1x Bottle opener
10x Complete Silver Cutlery
10x Large and Small Dinner Plates
10x Cereal Bowls
2x Paper Towel Roll
1x Facial Wipes
1x Wet Ones

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

FRENCH RIDER:
CSS hospitality Rider — France
Beer:
24 BOTTLES (NO CANS PLEASE) of:
1664 beer

3 Bottles of
French Sancerre white Wine

FOOD STUFFS :
1 x Box of Granola
1 x bag of Pistachio Nuts
2 boxes of Blueberrys
Tangerines or Satsumas
1 Bunch of Bananas
Apples
Grapes
Strawberries
2 x organic chocolate bars
Potato Chips
Whole Wheat Bread
Buffalo Mozzarella
Integral Pitta bread
Smoked Salmon
Turkey Breast
Fair Trade grounded coffee

SOFT DRINKS:
6xGatorade
4 x Diet Red Bull
48 x bottles still water
6 x small bottles Perrier or San Pellegrino
Orange juice (not from Concentrate)

MISCELLANEOUS:
1x Toaster
1x Kettle
1x Café Tier Coffee Pot
6x Mugs for hot drinks — NO STYROFOAM CUPS
6x Glass Champagne flutes.
24x Plastic cups for cold drinks
1x Corkscrew
1x Bottle opener
10x Complete Silver Cutlery
10x Large and Small Dinner Plates
10x Cereal Bowls
2x Paper Towel Roll
1x Facial Wipes
1x Wet Ones

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

GERMAN/AUSTRIA RIDER
CSS hospitality Rider — Germany/Austria
Beer:
24 BOTTLES (NO CANS PLEASE) of:
Flensburger Pilsen beer

2 Bottles of
French Sancerre white Wine
or Spanish Albarinho white Wine

FOOD STUFFS :
1 x Box of Granola
1 x bag of Pistachio Nuts
2 boxes of Blueberrys
Tangerines or Satsumas
1 Bunch of Bananas
Apples
Grapes
Strawberries
2 x organic chocolate bars
Potato Chips
Whole Wheat Bread
Buffalo Mozzarella
Integral Pitta bread
Smoked Salmon
Turkey Breast
Fair Trade grounded coffee

SOFT DRINKS:
6xGatorade
4 x Diet Red Bull
48 x bottles still water
6 x small bottles Perrier or San Peligrino
Orange juice (not from Concentrate)

MISCELLANEOUS:
1x Toaster
1x Kettle
1x Café Tier Coffee Pot
6x Mugs for hot drinks — NO STYROFOAM CUPS
6x Glass Champagne flutes.
24x Plastic cups for cold drinks
1x Corkscrew
1x Bottle opener
10x Complete Silver Cutlery
10x Large and Small Dinner Plates
10x Cereal Bowls
2x Paper Towel Roll
1x Facial Wipes
1x Wet Ones

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

HOLLAND RIDER
CSS hospitality Rider — Holland
Beer:
24 BOTTLES (NO CANS PLEASE) of:
Grolsch beer

2 Bottles of
French Sancerre white Wine
or Spanish Albarinho white Wine

FOOD STUFFS :
1 x Box of Granola
1 x bag of Pistachio Nuts
2 boxes of Blueberrys
Tangerines or Satsumas
1 Bunch of Bananas
Apples
Grapes
Strawberries
2 x organic chocolate bars
Potato Chips
Whole Wheat Bread
Buffalo Mozzarella
Integral Pitta bread
Smoked Salmon
Turkey Breast
Fair Trade grounded coffee

SOFT DRINKS:
6xGatorade
4 x Diet Red Bull
48 x bottles still water
6 x small bottles Perrier or San Peligrino
Orange juice (not from Concentrate)

MISCELLANEOUS:
1x Toaster
1x Kettle
1x Café Tier Coffee Pot
6x Mugs for hot drinks — NO STYROFOAM CUPS
6x Glass Champagne flutes.
24x Plastic cups for cold drinks
1x Corkscrew
1x Bottle opener
10x Complete Silver Cutlery
10x Large and Small Dinner Plates
10x Cereal Bowls
2x Paper Towel Roll
1x Facial Wipes
1x Wet Ones

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

SPAIN RIDER
CSS hospitality Rider — Denmark
Beer:
24 BOTTLES (NO CANS PLEASE) of:
Mahou Beer

3 Bottles of
Spanish Albarinho white Wine

FOOD STUFFS :
1 x Box of Granola
1 x bag of Pistachio Nuts
2 boxes of Blueberrys
Tangerines or Satsumas
1 Bunch of Bananas
Apples
Grapes
Strawberries
2 x organic chocolate bars
Potato Chips
Whole Wheat Bread
Buffalo Mozzarella
Integral Pitta bread
Smoked Salmon
Turkey Breast
Fair Trade grounded coffee

SOFT DRINKS:
6xGatorade
4 x Diet Red Bull
48 x bottles still water
6 x small bottles Perrier or San Peligrino
Orange juice (not from Concentrate)

MISCELLANEOUS:
1x Toaster
1x Kettle
1x Café Tier Coffee Pot
6x Mugs for hot drinks — NO STYROFOAM CUPS
6x Glass Champagne flutes.
24x Plastic cups for cold drinks
1x Corkscrew
1x Bottle opener
10x Complete Silver Cutlery
10x Large and Small Dinner Plates
10x Cereal Bowls
2x Paper Towel Roll
1x Facial Wipes
1x Wet Ones

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

UK RIDER
CSS hospitality Rider — UK

Beer:
24 BOTTLES (NO CANS PLEASE) of:
Sarporamen beer
Or
Zywiec beer
Or
Budwar beer

2 Bottles of
French Sancerre white Wine
OR
Spanish Albarinho white Wine

FOOD STUFFS :
1 x Box of Granola
1 x bag of Pistachio Nuts
2 boxes of Blueberrys
Tangerines or Satsumas
1 Bunch of Bananas
Apples
Grapes
Strawberries
2 x organic chocolate bars
Potato Chips
Whole Wheat Bread
Buffalo Mozzarella
Integral Pitta bread
Smoked Salmon
Turkey Breast
Fair Trade grounded coffee

SOFT DRINKS:
6xGatorade
4 x Diet Red Bull
48 x bottles still water
6 x small bottles Perrier or San Pellegrino
Orange juice (not from Concentrate)

MISCELLANEOUS:
1x Toaster
1x Kettle
1x Café Tier Coffee Pot
6x Mugs for hot drinks — NO STYROFOAM CUPS
6x Glass Champagne flutes.
24x Plastic cups for cold drinks
1x Corkscrew
1x Bottle opener
10x Complete Silver Cutlery
10x Large and Small Dinner Plates
10x Cereal Bowls
2x Paper Towel Roll
1x Facial Wipes
1x Wet Ones

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

IMPORTANT:
1 x BIG BUCKET/CRATE OF ICE TO BE REFILLED FOR ALL ALCOHOLIC BEVERAGES (EVEN IF THE VENUE HAS A REFRIGERATOR)
1 X CHAMPAGNE BUCKET
*PLEASE NO PLASTIC OR STYROFOAM CUPS

Se alguém teve paciência de ler todos os riders deve ter percebido as únicas coisas que mudam são as cervejas e os vinhos. Eu nunca fui consultado se eu gostaria de ter isso ou aquilo nesses riders. Isso foi uma decisão única de Ana e Carol, pelo que eu sei. E quando trouxe esse assunto à tona fui praticamente acuado pelas duas de uma forma tão agressiva e assustada que fiquei mais constrangido do que eu estava e preferi não me envolver mais com esse tipo de coisa. Eu sempre passei em supermercados e comprei minhas coisas. Cada um já tinha seu lugar na banda e aparentemente, eu era somente o provedor musical. Segundo me disse Ana cada um tem o que é justo, eu já ganhava mais com o publishing e na hora de fazer show o rider era pago pela casa caso as vendas dos ingressos não fosse boa. Faz sentido? Não fez pra mim, aliás, nem consigo reproduzir o que me foi dito tamanho nonsense. Ela estava citando meus ganhos com o publishing pela primeira vez. Perguntei o motivo e ela reformulou a frase argumentando que não éramos nós que pagávamos por isso. Só pagaríamos se o show fosse sold out. Que ótimo então, tudo de graça? Vamos tocar no cafundó da Noruega, o show vai ser um fiasco de vendas de ingresso e vamos pedir um rider caríssimo pro promoter levar dois prejuízos? Boa estratégia para voltarmos a tocar lá um dia, aprecio muito essa linha de pensamento de quem nunca pagou as próprias contas e agora acha que não tem nem que pagar a própria droga.

Minha paciência se esvaiu na última turnê. Houve o perrengue com o roadie psicótico (um capítulo a parte), meu dedo mínimo da mão esquerda começou a engatilhar (reumatismo, coisa de velho) e larguei a turnê no meio para cuidar desse problema. Mas a grande verdade era que minha paciência realmente havia se esvaido compleamente.

Sempre conversei com o Joel Mark a respeito das minhas bases nos shows. Sempre ficou claro que eu nunca cedi essas bases em contrato algum, nunca falei que elas poderiam usar isso caso eu saísse da banda. Então quando eu vim para São Paulo cuidar da minha saúde, para mim era claro que eu continuaria recebendo as míseras 1500 libras mensais de salário da banda. Quanta surpresa receber esse email:

From: Joel Mark <xxx@xxxxx.xx>
Subject: css salary
Date: November 10, 2011 11:13:12 PM GMT-02:00
To: Adriano Cintra <xxxx@xxxxxx.com>

hi adri

we need to talk about your £1500 a month salary from css
the salary comes strictly from profit from shows, and since you are no longer playing the show, it does not make sense that you receive the salary.
since you dont play, the band has to pay someone else to play, so it is more expensive for CSS that dont tour.

as the songwriter, you will still receive PRS income from touring. in fact- can i get your PRS log in info? we need to make sure that all of the CSS shows are properly registered with a set list, so you all receive the income.

i know that you think that since the songs and arrangements are yours that you should still get the salary, but considering how other money is split, it does not make sense.

there are some bands that i work with who split all income evenly, all songwriting, publishing, live income, merch, everything. CSS is not this kind of band.

since you dont share the other income, and i am not suggesting that you do, it doesnt make sense that you also share this touring income.

for example, during coachella you guys did that ASOS interview. you were playing piano during part of the day, and as you might recall we had to license that performance to ASOS. you will be getting $1600 for this. ( $2000 minus the deckstar commission). This is not a huge amount of money, but most bands would just throw it into the band fund. CSS does not do this. there is essentially no band fund with CSS, but a bunch of different income streams where each person is paid for their involvement. Since the pay is for involvement, and that is how CSS is set up financially, you can see that it does not make sense to keep giving you a salary for income that you are not involved in.

if you do the brazilian & columbian dates, it makes sense that you get your share of that income. we dont have a budget for that yet.

is this OK with you? does it make sense?

i am not trying to force this on you, just discuss it.

joel

Realmente, o dinheiro não é divido por igual afinal de contas o trabalho nunca foi feito por igual. Nunca dividiria nada com ninguém que não merecesse. Eu faço caridade, dôo dinheiro mensalmente para hospitais e fundações educativas. Mas dar dinheiro do fruto do meu trabalho para essas meninas que não fazem nada além de tocar ao vivo (e muitas vezes muito mal) eu nunca faria. Nem amigos éramos mais, faz tempo. Por exemplo, esse dinheiro do ASOS. Fomos convidados para fazer um vídeo lá no Coachella. Só que esqueceram de avisar que tal vídeo incluía uma jam da banda. E quem disse que essa banda faz jam? Acabou que eu fiquei tocando piano sozinho, tocando guitarra e cantando sozinho enquanto elas comiam, bebiam e ferviam. A trilha do vídeo fui eu tocando. Por que eu dividiria isso com elas sendo que esse dinheiro era exclusivo para a trilha do vídeo? Alguma vez alguma delas discotecou e dividiu o dinheiro do cachê comigo? Faz favor. Metade ou mais das músicas dos shows tem bases que têm eu tocando mesmo sem estar lá. Sintetizadores, percussões, piano, backing vocal. Não me pagar por isso é crime, sem falar no mau caratismo e falta de respeito e educação envolvidos. Eu já havia consultado uma amiga advogada a respeito disso e a lei é clara. Minha propriedade intelecutal. Esse email foi tão manipulador e tão mesquinho que obviamente me descontrolei. Eu já estava de saco cheio de todos eles. Quando acabei de lê-lo, comecei a espumar de ódio. Mandei dois emails, um de volta para o empresário e outro para elas.

Primeiro o do Joel. Fui melodramático, fui. Propositadamente, devo confessar. Usei palavrões, usei. Gosto deles.

From: Adriano Cintra <xx>
Subject: Re: css salary
Date: November 11, 2011 12:51:57 PM GMT-02:00
To: Joel Mark <xx@xx.com>

Joel.
I don’t THINK i am entitled to this. The LAW says I am. They are FUCKING USING MY BACKING TRACKS WICH I PLAYED. OK?
IF THEY FUCKING USE THE TRUMPET OF THE RECORD, THE MUSICIAN IS ENTITLED TO BE PAID SOMETHING.

MOST OF THE SONGS IN THE SHOW HAVE BACKING TRACKS.

I AM ENTITLED TO THIS.
I AM NEVER PLAYING WITH THOSE CUNTS AGAIN.

I WILL SUE YOU ALL FOR THE SHOWS THEY USED MY TRACKS.

SERIOUSLY.

ARE YOU REALLY GOING THERE???? REALLY?

THIS IS RIDICULOUS!

TELL THEM TO PUT MIKE GARSONS PIANO THERE ON THE SHOW!

WHAT YOU ARE BARGAINING IS SO LOW AND SO UNBELIEVABLY WRONG I CAN’T REALLY BELIEVE YOU HAVE THE GUTS TO PROPOSE THAT TO ME.
I AM DEEPLY DEEPLY DISAPPOINTED AT YOU.

I AM OUT OF THIS BAND. I WILL SUE YOU ALL FOR WHAT IS RIGHT.
I AM NOT ASKING ANYTHING BUT THE RIGHT THING.

ALSO, I AM NOT PLAYING BECAUSE I DON”T WANT TO PLAY. I AM ON MEDICAL LICENSE. I DON”T KNOW ABOUT THE AMERICAN LAWS BUT HERE IN BRASIL THIS IS SERIOUS SHIT.

I AM SO SAD I WISH I WOULD DIE.

Estou tão triste que queria morrer. Eu realmente me senti assim quando vi que não teria outra saída além da porta da rua. Afinal, anos e anos de trabalho para ser manipulado a sair da banda. Depois de um ano e meio de tortura produzindo aquele disco pra que? Pra elas terem material para ficar fingindo que são “minas de banda”? E então mandei um email para todas elas.

From: Adriano Cintra <xxx@xxx.com>
Subject: Fwd: css salary
Date: November 11, 2011 12:53:33 PM GMT-02:00
To: Carol Parra <xxxx@xxx.com>, Luísa Matsushita <xxxxx@xx.com>, Luiza Sá <xxx@xxx.com>, Ana Rezende <xxx@xxx.com>

ISSO EH RIDICULO.
EU ESTOU DE LICENSA MEDICA>
TODO SHOW VCS USAM BACKING TRACKS QUE EU TOQUEI. EU TENHO DIREITO DE RECEBER MEU DINHEIRO POR ISSO.
SE NAO O SALARIO, UM CACHE POR SHOW.
MESMO EU NAO ESTANDO LA EU ESTOU TOCANDO.

EU ESTOU MUITO DESAPONTADO COM TODAS VCS. APOSTO QUE VCS TEM DISCUTIDO ISSO NAS MINHAS COSTAS.
EU JA TENHO TRES ADVOGADOS PARA PROCESSAR VCS.

EU ESTOU TAO TRISTE QUE EU QUERIA MORRER.

NAO FALEM MAIS COMIGO NUNCA MAIS.

Por favor, não me julguem mal. Não riam de mim. Eu estava tendo um ataque histérico. E poderia ter sido pior, convenhamos. Até que fui educado. E apesar de pedir que nunca mais falassem comigo, adivinhem quem foi a única delas a se prestar a me escrever? A síndica, claro.

From: Ana Rezende dos Anjos <xxxxx@xx.com>
Subject: Re: css salary
Date: November 11, 2011 1:10:25 PM GMT-02:00
To: Adriano Cintra <xxxx@xxxxx.com>
Cc: Carol Parra <xxxxxx@xxxxx.com>, Luísa Matsushita <xxxxx@xxxxx.com>, Luiza Sá <xxxxx@xxxxx.com>

Bi,
Calma.
Vamos conversar sobre isso.
Essas tours q a gente ta fazendo ta quase q completamente sem profit e muito em breve a gente vai ter q parar de receber esses salários. E esse salário é 100% do meu income por exemplo.
E a gente vai ter q cortar backline tech pra ter um baixista.
Ta tipo difícil fazer essas tours com o budget q a gente tem.

Vejam bem. Ao invés de diminuir o salário de todos para todos continuarem recebendo, não. Elas decidiram que eu tinha que parar de receber porque eu tinha outras fontes de renda. Numa conversa com o Joel Mark via Skype ele teve a pachorra de insinuar que eu não precisava desse dinheiro porque eu tinha minha produtora. Mas o que estava em jogo não era o dinheiro em si. Mil e quinhentas libras por mês realmente não me faz falta. O que incomodava mais que tudo era a atitude delas de pouco caso e oportunismo. Com o fato de eu ter deixado o disco ser gravado na minha produtora sem ter nem falado num custo (eu ia dar 20 por cento do cache de produção para a produtora mas até agora elas só me pagaram metade do combinado e disseram que não vão pagar o resto pois eu não mereço). O pouco caso delas acharem que podem usar meus backing tracks sem minha autorização e sem me pagar. Eu dei tanto pra isso dar certo e agora minha opinião não conta, eu não mereço nada e só me resta cair fora e dar graças a deus que vou continuar recebendo dinheiro de publishing e ecad. Pode ser meu ascendente canceriano falando mais alto mas sinceramente, nunca achei que fosse acontecer nada parecido com isso. Antes disso tudo acontecer eu tentei ter uma conversa com a Lovefoxxx a respeito disso. Vou tirar umas partes do email que são muito pessoais e desnecessária (como o fato de eu me referir às homossexuais femininas da banda como ala lesbiônica, ops, contei).

From: Adriano Cintra <xxxx@xxx.xxx>
Subject: Re: bi, e ai? a gente precisa TER UMA CONVERSA BEM ADULTA
Date: August 8, 2011 8:18:05 PM GMT-03:00
To: Lovefoxxx <xxx@xx.xx>

2011/8/9 Adriano Cintra <xxx@xxx.xx>
bu!
kkkkk
e ai bi?

o Joel falou com vc do clipe?
o que vc achou das coisas qeu eu falei?

Bi, eu to BEM PUTO com a ana. Bem puto. Bom, nao vou ficar escrevendo por email, pq eu nao to com RAIVA dela, nao é nada disso. Tipo o que pega é que chega. Bi, eu aprendi la na Coletiva que uma coisa pra dar certo a gente tem que fazer. Eu tenho que ir la e fazer as coisas. Bi, tem muita bosta acontecendo na banda tipo a sumaria falta de dinheiro pela qual estamos passando. Bi, eu vou dar um jeito.
Nos vamos fazer turnes com LUCRO. Nos vamos ter um clipe. Nos vamos contornar o fato de que nos nos tornamos uma banda DIFICIL.

Bi, eu nao sei se o joel ja te falou.
Pera, antes eu quero que essa conversa fique entre eu e vc. Nao quero ninguem mais sabendo disso por enquanto.
Bi, até o Tyler ta querendo vazar. A gente se tornou uma banda insuportavel bi. Eu nao quero em momento nenhum soar injusto. Mas os pitis que a ala xxx da banda dão por conta de: GELO, ABRIDOR DE VINHO, CERVEJA EM LATA, MONITOR estão muito fora de proporção. Bi, cada turne que a gente faz a gente despede metade da crew. Olha, a Solana tinha um milhão de defeitos, eu mesmo ja quis quebrar o pescoco dela. Mas no geral foi muito uó o que aconteceu. Ela tinha coisas mais importantes pra se preocupar do que a cerveja, o gelo, o abridor. Eu sei que ela cagou no pau mas bi, a gente eh mimado DEMAIS. Nao pode ser. A gente não tem cacife pra ser mimado desse jeito. Nem você que eh VOCE e eh responsavel por TODA a atencao que essa banda recebe não é mimada desse jeito bi. Vc eh como eu, HUMILDE (dentro do possivel pq somos lindas travestis). A gente releva as coisas.
Eu não aguento mais fazer turne com esse modo diva On. Bi, a gente eh uma BANDA DE ROCK.
Nao estamos mais em condicao de ter as coisas que tinhamos tres anos atras.
Bi, viajar com tecnico de monitor, in ear, cinco teclados… isso ta fazendo a gente perder dinheiro. O tanto de cerveja e vinho que pedem ta fazendo a gente perder dinheiro.
Bi, semana passada eu mandei um email pro Joel falando que eu ia sair da banda.
Dai ele veio aqui pra londres e passamos o dia todo conversando.
E eu resolvi ficar.
E eu resolvi FICAR. Bi, de agora em diante eu vou saber centavo por centavo do que esta acontecendo. Eu vou me envolver em TUDO que esta no meu alcance pra GERIR essa banda e a gente ganhar dinheiro bi.
Mesmo se isso signifique:

Nao ter mais in ear.
A ana usar UM teclado só.
Termos UM spare amp e um Fender.
A ana usar um amp fender menor e nao um orange do tamanho de uma geladeira.

Bi, eu sentei com o joel. As maiores despesas de transporte sao por conta da ana bi. Ela toca guitarra em quatro musicas. E a gente carrega aquele amp gigante, um nao, dois pq tem o spare. E ela tem QUATRO teclados! Nao da. Bi, o peso do equipamento da Ana é mais de 1/3 do equipamento da banda TODA!
So de dminiuir tudo isso (e eu ter um spare de baixo carlinha, se quebrar o grande, usa o carla, TUDO BEM) vamos cortar quase pela metade o custo do frete bi.

E bi… O show da Coreia meio que provou que a gente eh bom pra caralho. A gente nao precisa de in ear. Talvez VC precise. Mas so vc. Eu estou CORTANDO O IN EAR DE TODAS ELAS. Sumariamente. Em festival a gente pode ter um monitor guy nosso. Mas em turne de casa de show, vamos usar o monitor das casas. Isso vai fazer a gente gastar um quinto menos. E esse quinto menos bi vai vir pro nosso bolso. No momento estamos perdendo dinheiro. E vamos ganhar.

Bi. E tem outra coisa.

A partir de agora as decisoes serao tomadas proporcionalmente ao input criativo. Minha decisao e a sua pesam mais, pq nos fazemos tudo. Eu ja avisei isso pro Joel. Bi, eu nao quero brigar com ninguem e nem vou. A partir de agora o Joel so vai perguntar as coisas pra mim e pra vc. Ana, Carol e Luiza serao avisadas do que esta acontecendo.
Eu nao quero saber se elas vao gostar ou nao de ter in ear, de ter cerveja x ou y. O rider eh outra coisa que nos vamos decidir. Nao quer a cerveja que esta la? Vai comprar. Do mesmo jeito que eu pago a minha academia. Eh uma escolha pessoal. O rider eh pago pela banda. Se a gente economizar TODO DIA 200 dolares em 6 semanas faz as contas.

Enfim bi. Tava na hora disso acontecer. Senao essa banda nao vai durar muito. Nos ja estamos com uma fama de banda insuportavel. Pode perguntar pro pinguim. pro joel, pro zane. Alias, foram eles que me contaram isso. Ninguem quer trampar com a gente bi. Cam, Dutch… ninguem. Ate o Tyler ta afim de vazar. Nao da bi.xxxxxxxx

A gente so precisa sentar e conversar eu vc e o joel. dai a gente conversa com elas. Eu nao sei o quanto o joel conversou disso com vc, mas assim, senta, respira e pensa. Eh nossa banda bi. Eu e vc fazemos as musicas. Vc eh a lovefoxxx. Bicha. Como vc nao ta vestida com seu mega ultra power look fierce no clipe??? Alias, QUE MERDA DE CLIPE EH ESSE??? gente. pqp.
ta mais que provado que a gente nao pode delegar as coisas.

sei la. pensa, respira. e acho que ia ser bafo a gente conversar por skype.

bi, vamos gerir essa banda pra gente ganhar dinheiro. vamos parar de RASGAR DINHEIRO por capricho. As mina nao PRECISAM de in ear. Elas gostam muito. Mas eu gosto muito tambem de muita coisa cara que eu nao posso ter. Se VOCE, bi, VOCE PRECISAR de in ear ai a conversa eh outra. Mas elas não precisam de in ear pra jogar rock band. Se nao conseguir tocar sem, ta precisando fazer aula.

ai bi, ta foda nao falar com magoa disso, mas eu to magoado mesmo. ja deu, cansei e vou ser muito cuidadoso com isso pra nao dar bafo. Nao vai dar bafo. Afinal, eh isso ou o fim da banda. E bi, serio. Se a gente nao fizer isso agora, pegar o rumo do barco pra gente, o barco vai afundar. eu nao quero…. vc quer?

:(

saudades!

te amo.

Fui didático. Fui honesto. Senti que alguém precisava por ordem na casa. Escrevi do fundo do meu coração. Ela respondeu que não queria tomar descisões sozinhas, que sim, nós fazíamos as músicas mas o show sem elas não existiria. Ela ficaria muito “triste” de ter que tomar decisões sozinha.

Sobre nós dois tomarmos as decisões. Que tipo de decisão estamos falando? Eu fico triste e não quero ser extrema desse jeito. Eu já fiz muita tour sozinha (em 2009 qdn eu tinha até um tour manager comigo. Eu tava fazendo pencas de coisas não sei se vc realmente teve noção, mas eu fazia fim de semanas em festivais em dois as vezes até 3 paises diferentes…) e eu queria morrer. o que eu quero dizer é que se ficar um clima de bosta entre a gente nada vai valer a pena… E elas não fazem as musicas mas a gente faz os shows juntos e o show sem todo mundo não existe… então eu não quero tomar decisões em relacao a TOUR por elas tbm. Eu não quero ter esse tipo de responsabilidade e não quero lidar com mal estar, vou me sentir injusta e se a gente for por esse caminho não vou conseguir fazer show com toda a energia da globeleza. Eu simplesmente não consigo. Eu não quero excluir elas de decisões Dri.

Sobre o clipe: Eu odiei aquele primeiro corte e fui bem clara… vc falou que tinha gostado e depois vc falou que achou que tava tudo errado. Eu fiquei triste q vc não foi no clipe. Vc nem fez parte do clipe bi… por um momento vc tinha falado que tinha gostado e depois falou que tava uó que a gente tem que jogar o jogo mas vc nem participou… pergunta pra co-op, pro joel se eles acham que é bom pro clipe vc não estar nele?

Bom, eu tentei. Mas a irmandade feminista falou mais alto. Ou ela sabia que isso ia dar problema com a Ana Maria. A respeito do clipe, ela disse que eu disse que havia gostado e depois disse que não havia gostado. O que aconteceu foi que o primeiro corte era tão horrível que eu não consegui ver até o fim. E ao invés de arrumar briga, eu fiz a louca. E talvez não ter ido participar desse clipe horrível tenha sido meu primeiro passo para fora da banda. Eu já vinha cansado de outros carnavais de ter que degladiar com elas. Pergunta pra CoOp se eles gostaram de ter gastado dinheiro com essa merda de vídeo. E o caso foi que uma hora eu cansei de fazer a louca. Curiosamente isso veio com o fato de eu parar de beber. Parei de beber, comecei a pensar. Engraçado que quase em todas as entrevistas elas falem de álcool. Na última que eu li, o repórter da Folha pergunta para elas o que mudou, talvez com minha saída.

“Nada mudou”, diz a vocalista. “Mudou, sim”, corrige a guitarrista Luiza Sá: “Estamos bebendo álcool melhor. Quando morávamos em São Paulo, bebíamos Bailey’s com vodca. Agora estamos bebendo Martini do bom”.

Mas a qualidade da bebida cresceu proporcionalmente ao seu efeito no dia seguinte. “Não dá mais para beber tanto. As ressacas pioraram demais!”, diz Carolina Parra.

Parece que elas continuam tomando seus bons drink transmutados agora em Martini Dubão. Nada mudou então. Costumávamos falar que tínhamos montado a banda para ganhar bebida de graça… Será que isso vai mudar um dia? E agora quem será que vai fazer música pra elas? Quem vai arranjar, afinar, copiar e colar? Mistério. Passou um tempo, consultei advogados, esfriei a cabeça. Roberta, minha melhor amiga de toda a vida estava lá em turnê com elas vendendo merchandising me deixando a par de todos os acontecimentos. Fofoca vai, fofoca vem, fiquei curioso de saber qual seria esse “OUTRO LADO” que todas elas afirmavam existir. A primeira a receber um email meu perguntando qual seria esse outro lado foi a Luíza Sá, a única delas com quem mantive contato após a ruptura. Fiquei muito decepcionado de saber que ela falava para Roberta que eu ganhava mais do que merecia e que ela precisava saber o “OUTRO LADO”.
Mandei um email para Luiza Sá. Nunca obtive resposta. Passou um tempo mandei outro.

From: Adriano Cintra <xxxxxx@xxx.com>
Subject: amore
Date: November 22, 2011 2:52:49 PM GMT-02:00
To: Luiza Sá <xxxxx@xxxxxx.com>

eu nao estou com raiva de vc, de verdade. eu nao estou com raiva de ninguem. como eu disse, e vou voltar a dizer, uma pena que isso tenha chegado nesse nivel, muito triste, mas bola pra frente. vc leu o que eu escrevi?
onde eu estou errado? vc pode me mostrar?
tem mais algum outro problema alem desses que eu escrevi la?

serio.

nao desconta na roberta, ela eh minha amiga, eh obvio que ela ia me contar tudo que acontece ai ne. ela eh minha AMIGA. sabe, amor incondicional? isso existe. e eu tenho amigos assim ue.

Claro que cinco minutos depois que mandei esse email Roberta apareceu apavorada no skype me xingando. Mas o que ela esperava, não é mesmo? Que eu ficasse calado? E Luíza não respondeu de novo. Passou um tempo, mandei esse outro email:

From: Adriano Cintra <adrianocintra@mac.com>
Subject: e ai bi??
Date: November 22, 2011 4:40:37 PM GMT-02:00
To: Luiza Sá <luizadsa@gmail.com>

Bi, serio. Agora vc vai me abafar tambem????

Que foi? deu um nó na sua cabeça?

Vc leu o que eu escrevi? sério. Eu estou errado????

De verdade, eu sinceramente acho qeu nao estou! Eu quero conversar, eu preciso saber o que esta acontecendo.

isso é muito cruel. Não faz isso comigo, eu já estou sofrendo o suficiente.

Como não recebi resposta, resolvi jogar a merda no ventilador e mandei esse email para todas. Deixei até espaço para elas me completarem suas resostas. Silêncio, claro.

From: Adriano Cintra <xxxx@xxx.com>
Subject: então (pelo amor de deus, leiam)
Date: November 22, 2011 12:23:05 PM GMT-02:00
To: Carol Parra <xxx@xxxx.com>, Luísa Matsushita <xxxx@x.x>, Luiza Sá <x@x.x>, Ana Rezende <x@xx.xxx>

E ai?
Então, é o seguinte. Vamos ter uma conversa?
Eu queria saber de onde vcs acham que eu ganho demais pelo que eu faço e que não mereço ganhar pelo uso das minhas bases. Não quero brigar, não estou acusando ninguém, só quero ouvir o LADO DE VCS, que vcs tanto falam que existe.

É a oportunidade de vcs se expressarem.
O que está acontecendo>?

Vamos lá.

Meus backing tracks.

Vcs nao podem usar o violao do tuco nem o trumpete do nahor na base sem pagar. Pq acham que podem usar minhas performances no show de vcs sem me pagar, uma vez que nao sou mais da banda? A lei de propriedade e direito autoral e performance musical é clara e simples. Eu nunca pediria por algo que não tivesse direito e fosse justo. Eu até acertei um valor simbolico com o joel por essa turne, uma vez que ele mostrou que nao tinha dinehiro. Eu fui justo e sensato, eu nunca quis destruir a banda nem atacar vcs. So quero o que eh justo.

Eu até hoje não fui pago pela produção do disco. O Joel depositou 12 mil libras na minha conta. Nos emails que acertei com ele, o valor é 20 mil.

O publishing é dividido de maneira justa. Quem faz, ganha. Quem n ão faz não ganha. Se eu ganho mais que vocês só mostra que eu fiz mais que vocês. E isso nao foi problema na hora que eu estava me matando pra fazer o disco. pq eh agora? O publishing eh relativo a propriedade intelectual. Nao POSSO, nao eh justo eu dividir isso com vcs. Eu estaria me desrespeitando muito fazendo isso. O que mais me espanta eh que parece que eu nunca incentivei vcs todas a escrever! Ana, eu peguei uma letra sua e musiquei para que vc tivesse uma musica sua no disco!!!! Eu nunca quis monopolizar essa parte. Sempre deixei aberto pra todas vcs participarem.

Enfim, quem tiver algum argumento e eu digo ARGUMENTO, responda. Não estou atacando ninguém, não estou sendo grosso nem criança. Só quero ouvir o que vocês tem a dizer. Pq eu nunca esperava isso de nenhuma de vocês. Nunca estive tão triste a minha vida toda, de verdade, eu realmente amava vcs todas, nunca fiz nada para prejudicar nenhuma de vcs. Sempre tentei ajudar, mesmo quando perdia a esperança ou a paciência. Sei que vcs devem estar cansadas e frustradas, mas eu avisei que essa turne não era negocio. Eu sempre quis poupar a gente desse tipo de stress, que ia mais cedo ou mais tarde acabar com nossa amizade. Enfim, realmente, eu nao quero ofender ninguem, nao quero prejudicar ninguem. Por favor nao me prejudiquem tambem.

Nunca me responderam, mas com certeza leram. Roberta me contou. Carolina foi falar para ela que eu estava com problemas de ego, que devia montar uma banda com meu nome. Bom, sempre achei que Carolina tivesse algum problema de raciocínio. Eu nunca quis aparecer, nos shows sempre fiquei no fundo do palco vestido de preto. Não dou entrevistas, não gosto de tirar fotos. Eu só queria estar fazendo shows com lucro, eu só queria trabalhar com remuneração. Toda minha preocupação começou o dia que recebi os budgets das turnês que faríamos. E nenhuma ia dar lucro. Não contente em não dar lucro, iam dar prejuízo. Eu não tenho tempo nem saco pra fazer um ano de turnê para perder dinheiro. Eu tenho mais o que fazer, eu tenho uma produtora, eu tenho responsabilidades, estou quase com quarenta anos. Eu não preciso ficar fazendo show sem ganhar dinheiro para manter meu status de rock star até porque eu nunca tive um. Eu toco em banda desde os anos noventa, já fiz turnê na europa com outras bandas além do CSS, já lancei disco por gravadoras que eu pagava pau antes do CSS. O CSS foi só uma coisa a mais na minha vida de artista. Eu não tenho que prestar contas com ninguém sobre o que eu vivi, só comigo mesmo. Tenho minha consciência tranquila. E só o tempo vai me fazer esquecer todas essas coisas chatas que aconteceram esses anos todos. As boas eu não quero esquecer. Mas duvido que eu consiga esquecer essas pessoas detestáveis que um dia cruzaram meu caminho.

Nasci em 21 de maio de 74. Faço música desde que comecei a tocar piano com oito anos. Já tive algumas bandas, alguns empregos, alguns namorados e alguns blogs.

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